sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

DOMÉSTICA
Não é de hoje que as novelas incluem as domésticas em suas tramas. Na novela "Caminho das Índias", de Glória Peres, são retratadas duas "personagens" da categoria: uma se dá bem com a patroa, não se importa com seu jeito um tanto histérico, cheia de manias; e até a admira por isso. Outra se  dá bem com o patrão, embora os dois com gênios bem fortes e houvesse alguma divergência, havia entre eles cumplicidade. Outra até poderia passar bem suas camisas, mas se soubesse ficava bravo; pois somente tinha confiança naquela que aprendera admirar. Depois o autor Manuel Carlos retrata outras duas: uma abusada, tira proveito de algumas situações... - Caráter é do indivíduo e não do cargo ocupa. - Outra que é sempre prestativa e se dá bem com todos da casa. Somente acho que a maioria das patroas não concordaria com o tamanho do seu uniforme: minúsculo. ...
"Época triste é a nossa, em que é mais difícil quebrar um  preconceito do que um átomo". - Albert Einstein
É discriminação com os índios, com os pobres, os negros os deficientes..., e com as domésticas não é diferente. Particularmente não gosto do termo "empregada doméstica", não se vê o termo empregado, antecedendo nenhuma outra classe trabalhadora. Doméstica seria suficiente. Esta é uma classe bem numerosa, mas ainda há inúmeras (os)  dessas (es)  profissionais na informalidade. Se para os  patrões não é sinônimo de segurança por correrem riscos de futuros processos..., para as (os) domésticas (os) deve ser questão de conscientização. Ao negarem o registro os patrões prejudicam esses profissionais (e a si *) . Ao não aceitarem o registro essas (esses) trabalhadoras (es) prejudicam a si próprias (os), pois ficam sem as garantias a que têm direitos. Alguns patrões não registram por não querer ou não poder assumir mais despesas; ou ainda para não pagar um salário. Noutras, a própria doméstica rejeita o registro por vários motivos: por ceder ao preconceito; por não pretender ficar muito tempo na função, etc.. O perfil destas (es) trabalhadoras (es) varia a cada lugar, a cada cidade, a cada estado. Em cidades muito pequenas dificilmente ganharão um salário mínimo. Às vezes nem meio. Também não há obrigatoriedade do uso do uniforme. Em alguns desses lugares também não há pagamento do décimo terceiro ou férias. A quantidade de horas trabalhadas assemelha-se à das capitais. Em algumas dessas pequenas cidades, o número o número de  patrões à procura de uma doméstica é até grande, mas muitas dessas mulheres preferem se empregar até mesmo em plantações de eucalípto, por exemplo, do que enfrentar os serviços domésticos. Tenho me perguntado se seria pelo direito ao FGTS que elas não têm ? Ou se é porque os serviços domésticos são mais complicados, cheios de minúcias; repetitivo: é feito e refeito todo o dia (todos os dias), sem um resultado muito duradouro. Outras (os) partem  para as grandes metrópoles à procura de melhores condições de vida, melhores salários. Algumas deixam para trás até mesmo marido e filhos. Essas (es) trabalhadoras (es) são importantes, pois, indiretamente colaboram para o crescimento do país, pois assumindo os serviços domésticos permitem que outros assumam outras profissões. Com isto, muitas mulheres deixam de serem donas donas de casa. É uma profissão tão antiga, mas há ainda muito a ser melhorado. Domésticas e patrões têm lá seus "rosários" de lamentações. As domésticas reclamam de discriminações e explorações. Os patrões, de que elas, as domésticas, algumas, não fazem os serviços como gostariam. - Deixo claro que falo de profisionalismo e não de caráter. - Reclamam de falta de compromisso, mas as domésticas têm as mesmas reclamações, principalmente as diaristas; às vezes faltam sem aviso prévio, mas também elas muitas vezes são dispensadas de último momento, após chegar ao emprego.
O que posso dizer é que essas mulheres são, apesar de tudo, verdadeiras guerreiras; enquanto em outras profissões as pessoas se profissionalizam, a doméstica enfrenta tudo com muita coragem. Isso às vezes tem um ponto negativo,causa até mesmo um certo sofrimento, que poderia ser amenizado se pudessem estar mais preparadas.
Voltando ao assunto da discriminação: se às vezes não falam corretamente é porque não tiveram a oportunidade de aprender. Se às vezes se envergonham do uniforme é porque sabem com que olhar a  sociedade olha para elas. E é esse olhar que deve mudar. "Ah, por que você não trabalha noutra coisa?" É comum ouvirem. E às vezes até recebendo um salário melhor que em alguma outra profissão, mesmo assim, são discrminadas (os). Todo trabalho é digno. Ou devia ser.
Os patrões costumam reclamar da falta de liberdade ao colocar em suas casas uma doméstica, que durma no emprego, mas para a pessoa da doméstica também não é muito diferente. Sabemos que não é fácil receber em suas  casas pessoas estranhas, afinal, essas pessoas ficarão muito próximas; mas para quem ali vai trabalhar também não é muito cômodo. Principalmente até que se habitue. Os medos são muitos: não sabe se irá corresponder às expectativas dos patrões! E é difícil mesmo. Às vezes são culturas, costumes, hábitos são diferentes. E mesmo a pessoa já tendo experiência pode encontrar dificuldades; porque a cultura, os hábitos, os costumes variam a cada lugar, a cada lar.
É valorosa a importância dessas (es) trabalhadoras (es) dos lares brasileiros. Cuidar bem de uma casa, com paciência e dedicação é mesmo uma arte. Que suas (seus) protagonistas, as (os) domésticas (os), possam sentir orgulho do que fazem. A dignidade está em nós mesmos de não nos sentirmos menosprezados naquilo que fazemos. E também naqueles que sabem olhar com honradez, respeito. "O prazer no emprego, coloca perfeição no trabalho". - Aristóteles